quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Ciclofaixas, um incentivo ao transporte alternativo

Ciclofaixa Zona Leste - Créditos: João Luiz - Secom


A administração da cidade de São Paulo, preocupada com o trânsito, que aumenta a cada dia nas grandes vias que interligam os bairros, e com novas opções de lazer para a população, decidiu incentivar o uso das bicicletas como meio de transporte. Uma das formas encontradas foi o investimento em ciclofaixas de lazer, que até o momento somam o total de 65 km. Elas estão localizadas no bairro Santana, na zona norte, Itaim Bibi, zona sul, e na Penha, zona leste.

As ciclofaixas são semelhantes aos corredores destinados a circulação dos ônibus nas grandes avenidas da cidade de São Paulo. É uma faixa pintada no asfalto em determinada avenida, própria para a locomoção das pessoas que utilizam bicicletas, como meio de transporte ou lazer. A circulação nessa faixa tem mão única e é normalmente no mesmo sentido do restante das outras faixas existentes na via, que são destinadas a circulação dos veículos comuns. A separação da ciclofaixa do tráfego dos carros, ônibus e motos é feita por meio da utilização de cones para sinalizar e blocos de concreto.

A utilização da bicicleta para ir ao trabalho, passear ou praticar exercícios na cidade, é uma opção saudável, importante para desafogar o trânsito, e principalmente uma escolha sustentável, pois o uso dela não emite o dióxido de carbono ao meio ambiente, como os veículos motorizados fazem. Além dessas qualidades, a bicicleta é uma forma de transporte econômico, pelo fato de não ser necessário o gasto com combustível e muito menos passagens ou estacionamentos. Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), a bicicleta é o transporte mais sustentável do planeta e vinte bicicletas em um estacionamento, ocupam o mesmo espaço que um carro.

A primeira faixa destinada às bicicletas na cidade foi inaugurada no mês de agosto de 2009, e fica entre os Parques do Ibirapuera e das Bicicletas, na zona sul da cidade e a última inauguração foi na Avenida Governador Carvalho Pinto, zona leste em março de 2012. Os moradores da zona norte têm acesso à ciclofaixa, que liga a Praça Heróis da FEB, em Santana, ao Sesc Santana e foi ativada no dia 4 de março desse ano. Todas as ciclofaixas funcionam das 7h às 16h, todos os domingos e feriados.

Existe apenas uma ciclofaixa definitiva, que fica localizada no bairro de Moema e funciona todos os dias, 24 horas. Ela conta com o total de 3,3 km, mas é a única em toda a extensão da cidade. A jornalista Aline Mendonça, diz que descobriu a possibilidade de usar a bicicleta como transporte em 2009 e desde então, pedala em praticamente todos os seus trajetos. “Uma vez ao mês eu passo na ciclofaixa zona oeste/sul - com o intuito de passear e fazer uns trajetos mais longos, pois o uso urbano da bicicleta é muito eficiente em trajetos curtos e médios de até uns 7 km.”

Existem normas que regulamentam o uso das ciclofaixas. Segundo informações oficiais da prefeitura, é proibido o trânsito de pedestres, skatistas, patinadores e não podem ser usadas para a pratica de atividades desportivas de ciclismo, pelo fato de crianças e adultos a utilizarem para o lazer, assim a velocidade usada na atividade desportiva do ciclismo não é compatível com a utilizada nas ciclofaixas. As regras de trânsito, para os veículos que circulam nas faixas ao lado da faixa destinada às bicicletas, foram alteradas aos domingos e feriados, a velocidade máxima permitida é de 40 km por hora.

É importante as regras do trânsito se adaptarem a favor das pessoas que usam a bicicleta, seja para o lazer ou até mesmo para trabalhar. Pois, em pleno século XXI onde o tema de preservação do meio ambiente é tão debatido em todo o mundo, São Paulo, que ocupa o papel de metrópole do País, não pode ficar para trás. E os órgãos públicos têm que se mobilizarem em prol da segurança do ciclista no trânsito. O design Alexandre Freitas afirma que vai ao trabalho em média duas vezes por semana de bicicleta. “Moro no Paraíso e vou até o Parque Burle Max, perto da estação João Dias, são 18 km para ir e a mesma distância para voltar.”

Um exemplo de preocupação com o meio ambiente e a segurança dos ciclistas é a cidade de Londres. Segundo a National Transport Survey, o uso das bicicletas nos últimos 10 anos cresceu 110%, por esse motivo a cidade criou leis especiais, que protegem o ciclista e programas que estimulam o uso seguro das bicicletas como meio de locomoção.

Algumas medidas já foram tomadas, mas na prática ainda há muito para ser feito. Aline Mendonça, que usufrui dos benefícios que o transporte por meio da bicicleta traz, comenta que as autoridades precisam tomar mais atitudes. “O problema é que não vemos muito empenho das autoridades para garantir os deslocamentos seguros no dia-a-dia do trânsito, apenas ações tímidas, paliativas e desconectadas.”

Para a bicicleta ser considerada pela maior parte da população um meio de transporte realmente seguro, há muito trabalho pela frente. Isso inclui novas regras na nossa legislação de trânsito, conscientização dos motoristas de veículos, para respeitarem o ciclista e investimentos em infraestrutura nas avenidas e ruas da cidade. Que ela é um bem ao meio ambiente, ocupa menos espaço, traz benefícios à saúde e é econômica, já sabemos. Agora, basta aguardarmos as próximas medidas, que nossos governantes pretendem tomar, para podermos desfrutar dessa forma de locomoção.