quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Córsega, tradição na produção de vinhos

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A Córsega é uma ilha do Mar Mediterrâneo, localizada no sul da França e a oeste da Itália, sendo dividida em duas partes: Alta Córsega e Córsega do Sul, com duas principais cidades, Bastia e a capital, Ajaccio.

O local é conhecido por sua beleza natural, resultante da mistura da região litorânea e montanhosa, e pela viticultura que teve início com o domínio dos fenícios, gregos e romanos. Porém, a produção de vinhos só desenvolveu-se realmente quando o Império Romano tomou o poder e a Igreja passou a administrar a produção,  transformando a bebida na principal fonte do comércio.

TOQUE FEMININO

Nos vinhedos da Villa Angeli, a produção de vinhos é feita tradicionalmente por uma família de viticultoras. Os vinhedos administrados por essas mulheres produzem as uvas brancas Vermentinu e as tintas Sciaccarellu e Niellucciu. O clima mediterrâneo, com toques de clima temperado, a influência das águas marítimas, os verões quentes e secos e a forte presença de ventos, associados aos tipos de solos existentes na ilha da Córsega, são essenciais durante o processo de produção da bebida.

Segundo o proprietário do Empório Sorio, Thierry Batistini, que é representante exclusivo dos vinhos da Córsega no Brasil, “há inúmeros microclimas na ilha que influenciam os vinhedos, resultando em vinhos de grande tipicidade”.

O frio durante os invernos na região garante o repouso das vinhas e o calor dos verões ajuda no crescimento das uvas. E ainda existem vários tipos de solos: xistos, argila, granito, solos de aluvião e calcário, que contribuem significativamente nos sabores dos vinhos. A umidade vinda do mar é o fator natural, que mantém em equilíbrio a temperatura e auxilia no processo de maturação das uvas.

Atualmente, a viticultura da região passa por uma legislação do Instituto Nacional de Denominações de Origem (L’Institut National des Appellations d’Origine), que é responsável por classificar os vinhos de acordo com suas regras, e após a inspeção, se tudo estiver dentro dos padrões, o rótulo do produto recebe a inscrição  Denominação de Origem Controlada (A.O.C. Appellation d’Origine Contrôlée).

A sommelier Eliana Araújo afirma que as regras são rígidas. “Há o limite geográfico, uvas permitidas, tipo de produção e métodos específicos de vinificação, limite de rendimento das videiras e outras exigências. A Córsega possui nove denominações, e as duas mais importantes são A.O.C. Patrimônio e Ajaccio, referências na hora da escolha do vinho.”

Os vinhos da Córsega são pouco conhecidos no Brasil e de acordo com Thierry, os rótulos que mais fazem sucesso em terras brasileiras são os elaborados com as uvas nativas, especialmente os bi-cépage, selecionados entre as melhores uvas da colheita – Terrazza D´Isula (Sciaccarellu com Cinsault), o Corsican Nature (Pinto Noir e Niellucciu), o branco da Villa Angeli (Vermentinu) e o rosé da Villa Angeli (Sciaccarrellu e Grenache).

Quando se trata da combinação dos vinhos da Córsega com a gastronomia, a questão histórica de a ilha ter sofrido diversas invasões, levou os habitantes a morarem no interior e os seus hábitos alimentares acompanharam essa mudança. Dessa forma, foi necessário unir o cardápio da região montanhosa – carne de caça e pratos à base de farinha de castanha aos vinhos de sabores leves.

DICAS DE HARMONIZAÇÃO DA SOMMELIER ELIANA ARAÚJO

Domaine La Villa Angeli Corse BlancDomaine La Villa Angeli CorseDomaine La Villa Angeli Corse Rose  

UVAS BRANCAS

Vermentinu - Produz um vinho aromático com notas florais e frutadas, o final apresenta um leve mineral. Acompanha entradas e saladas com mix de folhas, lascas de damasco e finalizada com azeite cítrico.

Muscat Petit Grains - Possui um nível alto de doçura e é utilizada para os vinhos de sobremesa. Aromas de frutos secos cobertos por mel e notas cítricas fazem deste vinho um par ideal para tortas cremosas com frutas em compota.

UVAS TINTAS

Sciacarellu - Produz um tinto de cor vermelho transparente. As nuances de frutos vermelhos maduros mesclam bem a passagem em carvalho e expressam especiarias e tostados. Experimente os da região de Ajaccio (A.O.C.). Compatibiliza com massas com recheios de queijo de cabra.

Nielluciu - Lembra a uva Sangiovese da Toscana, na Itália. Experimente os de safras jovens, que oferecem aromas de frutos vermelhos intensos. Caso tenha passagem em carvalho, aparecem novamente especiarias e tostados provenientes da madeira. Na harmonização carnes vermelhas grelhadas, cordeiro assado e stinco com purê de mandioquinha.

Serviço:

Empório Sorio
Rua Dr. Augusto de Miranda, 802  Pompeia
Tels.: (11) 4508-2601 / 2925-2601  www.emporiosorio.com.br

Eliana Araújo
Sommelier pela Associação Brasileira de Sommeliers de São Paulo. Trabalhou nos restaurantes Café Antique, Capim Santo, Le Vin Bistrô e Santovino. É sommelier executiva do Grupo Egeu, além de colunista das revistas Casa e Comida e Black Life Style.

Córsega, tradição na produção de vinhos

Revista Em Dia Gourmet

Dezembro 2012

Veja

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Escaneada: Uma prova de amor ao próximo

Revista Em Dia 

Dezembro 2012

Página: 26

Veja aqui

Uma prova de amor ao próximo

Caravana Algodão Doce 10

O final de 2012 está chegando e é nessa época que nos reunimos com os amigos e familiares, trocamos presentes, apreciamos uma ceia farta, refletimos sobre os nossos erros e acertos e fazemos pedidos para o ano que se aproxima.

Porém, não são todos os cidadãos que têm essa oportunidade. Milhares de pessoas moram na rua vivendo em condições sub-humanas, passando frio, fome, enfrentando a chuva e ainda lidando com problemas de saúde e vício em drogas e álcool, vivendo à mercê da própria sorte e dependendo da ajuda de desconhecidos.

Inúmeras ONGs e vários grupos de ajuda têm como objetivo levar alegria e conforto dentro do possível para estas pessoas. Inclusive, na lista de doações, existem alimentos, roupas e cobertores, além de tempo e amor, tudo isso sem pedir nada em troca.

Em 2011 uma pesquisa foi realizada pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), a pedido da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) da Prefeitura de São Paulo, com o intuito de fazer um levantamento da população de rua. Chegaram ao resultado de 14.478 indivíduos, sendo 6.765 moradores de rua e 7.713, que estão em centros de acolhimento. Existem 7.002 indivíduos adultos, 1.455 idosos, 221 adolescentes e 212 crianças e a região central da Capital é onde se concentra o maior número de pessoas, 64% dos moradores de rua vivem lá e a maioria é do sexo masculino.

DOÇURA DO BEM

Dentre os diversos grupos de ajuda a pessoas de rua, o Caravana Algodão-Doce, localizado na Penha, completou doze anos em outubro deste ano. Eles distribuem alimentos e roupas em várias regiões de São Paulo, como o Largo da Penha, Largo do Belém, Rua Piratininga, Brás e Glicério.

Inês Terezinha Ungri, participante do grupo, explica que a reação dos moradores de rua é amigável e eles esperam ansiosos a chegada do auxílio. “Oferecemos uma marmita com arroz, feijão, carne e legumes, suco e água. Algumas vezes levamos calçados e roupas, inclusive íntimas, e no inverno distribuímos cobertores”, comenta.

As saídas da Caravana são quinzenais e distribuem, em média, 150 marmitas. Nem sempre são os mesmos moradores que recebem a ajuda, pois existem pessoas novas pelo caminho, que também precisam das doações.

Em datas específicas do ano, como a Páscoa, Dia das Crianças e o Natal, o trabalho deles é diferenciado: “Geralmente os trabalhadores doam e pedem doações de brinquedos e saímos às ruas com o Papai Noel”.

Quando questionada sobre quais ensinamentos que retira desse trabalho, Inês explica que absorve valores inestimáveis, pois as pessoas atendidas pelos trabalhadores da Caravana se mostram felizes por tão pouco e os recebem com tanto carinho, abraços e beijos, como se fossem velhos amigos. “É o momento em que nos despimos de todo o orgulho e vaidade, pois a maioria das pessoas está suja e com mau cheiro. O que fica é uma lição de irmandade, porque todos somos iguais perante o Pai”.

Após muitas experiências, Inês guarda histórias emocionantes na memória: “Por exemplo, um morador de rua, ao abrir sua marmita, logo deu a carne para seu cão e então perguntamos: você não gosta de carne? E ele respondeu que gostava, mas o cachorro era seu melhor amigo e estava há muito tempo sem comer, então por isso merecia a melhor parte”, conta.

Para os moradores de rua que não aceitam se instalar em albergues disponibilizados pela Prefeitura de São Paulo, o auxílio vindo de grupos de ajuda como a Caravana Algodão-Doce é primordial para a sobrevivência dessas pessoas. E esses grupos necessitam de assistência para continuarem o trabalho maravilhoso que fazem, para isso, contam com doações de agasalhos, sapatos, cobertores, brinquedos, alimentos, roupas íntimas e o amparo de mão de obra voluntária. Faça sua parte e comece 2013 semeando o bem!

Serviço

Caravana Algodão-Doce – Fraternidade Espírita União
Rua Atuaí, 369 – Penha
De segunda-feira a quinta-feira, das 19h30 às 22h.
Falar com Maria Lúcia ou Fábio no tel.: 2684-3814 ou com a própria Inês no tel.: 97367-8468.